Relacionamentos pós-modernos.
Por Solange de Souza
Por Solange de Souza
Ando com algumas dificuldades que estão me fazendo refletir muito sobre a crise. Não, não é sobre a crise econômica mundial. É sobre a crise nos relacionamentos pessoais e interpessoais.
Percebo grande dificuldade nas pessoas, em serem ouvidas, e maior dificuldade ainda em falar.
Falar de assuntos cotidianos, falar besteirinhas necessárias com seus amigos, familiares, colegas de trabalho, parceiros...Falar, simplesmente falar.
As pessoas não parecem mais querer escutar, e isso torna o falar praticamente inexistente.
Chega-se em casa, liga-se a tv, corre-se para o banho, come-se alguma coisa rapidamente (quando come!), controle na mão, ou mão no teclado do computador, e quem esta conosco, ali no mesmo espaço, solenemente ignorado.
Quando muito, interrompemos uma olhada ou outra para a tela, apenas para resmungar monossílabos, que querem dizer sim, não, ou talvez, o outro que interprete como quiser.
Sinto às vezes uma vontade imensa de falar. Mas ninguém quer escutar. Alternativa?Ponho-me a reclamar de alguma coisa banal, que momentaneamente chama a atenção do outro para exclamar que reclamo demais, e fim de assunto.
As pessoas não conseguem mais falar umas com as outras, não conseguem mais falar de si mesmas, e isso adoece!Sim, estamos adoecidos e não percebemos.
Pensou-se que a tecnologia iria aproximar mais as pessoas. Mas li em algum lugar que a humanidade nunca se sentiu tão solitária.E sinto o mesmo, também!
Ao invés de visitar um amigo, como fazíamos nos velhos tempos (não tão velhos assim), eu telefono para ele ou mando um "torpedo" via celular.
No dia do aniversário de uma pessoa querida, eu lhe mando um cartão virtual.deixo um "scrap" no orkut ou no msn.
Quando quero me desculpar, mando uma mensagem, ao invés de procurar a pessoa e conversar sobre os fatos.
Estamos abrindo mão de um bom papo, de momentos juntos, de relacionamentos verdadeiros e duradouros, do olho no olho, de estarmos todos reunidos.
É.A pós-modernidade está tirando isso da gente.Está tirando nosso conceito de “nós”, nossa comunhão, nosso “estar juntos”.
E a televisão exerce este papel brilhantemente: tira-nos uns dos outros.
Parece até que , como escutei em uma pregação outro dia, a Ciência está querendo nos destruir.
Criamos máquinas maravilhosas, compramos produtos de extrema tecnologia, inventamos inúmeras maneiras de ganhar e gastar dinheiro e reinventamos a solidão, o desamor, a falta de ter com quem falar.
Embora eu tenha um celular, um computador, uma tv, de ultima geração, ninguém me escuta, ninguém nota minha presença, e em alguns casos, sequer notam minha ausência.
“Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem .Agora vejo em parte, mas então veremos face a face, que é só o amor, é só o amor, que conhece o que é verdade” (Legião Urbana).
Solange de Souza.
Gostei do seu texto... realmente hoje as pessoas estão cada vez mais distantes,ví dia desses um cara chamar outro no nextel, mesmo sabendo que ele estava em outra sala, a uns 6 metros dele.O problema é a modernidade, a sociedade que consome você, por conta de dinheiro. Tudo o que está ai é por que pessoas e/ou organizações querem ganhar mais e mais, isso inclusive me remete a uma resposta da Marisa Monte (cantora do RJ) quando nos anos 90 era a maior vendedora de CDs do Brasil. O repórter perguntou a ela se estava rica, e a resposta foi sucinta: Rico não é quem tem tudo, mas o suficiente para ser feliz. E é ai que está o problema da sociedade que "te" consome, eles criam produtos que vc não precisa, criam uma propaganda que te faz crer que se vc não tiver aquilo, não é feliz, não é antenado, não está no topo. E Como bem já disse Freud: Duas coisas nos movem, o instinto sexual, e o desejo de ser grande, está feita a sociedade de consumo. Na minha visão duas coisas são determinantes para a sociedade estar como está: 1 - A industrialização, e sua crescente demanda por dinheiro, para ter simbolos de status e bem estar social, e: 2 - a televisão.
ResponderExcluirA pior coisa que pode ter acontecido a família foi a mulher, a mãe ir trabalhar fora. E ela foi trabalhar fora por que? Pra ter mais dinheiro na casa... pra comprar a cortina disso, o jogo de sofá daquilo, o guarda roupas com 4 espelhos, a TV de “X” polegadas, ou o carro, ou o segundo carro, e etc. Só que quando essa mãe foi trabalhar fora, deixou de lado uma coisa IM-POR-TAN-TIS-SI-MA: criar os filhos! E criar aqui, é no sentido amplo, dar valores, conceitos, educação (que os pais de hoje acham que é o professor quem tem de dar), atenção, dedicação, carinho e cumplicidade... Aqui uma fuga do assunto pra a vida adulta: as pessoas se queixam hoje que os seus escolhidos pra relacionamento sentimental (namoro) não são dedicados, nem cúmplices, quando são carinhosos, é só no momento de quererem alguma coisa. Como pode ser dedicada uma pessoa que não conheceu isso na mais tenra idade ? Lembro da minha mãe, por dias a fio comigo, pra me fazer entender e decorar a tabuada, quer exemplo mais sublime? Quando eu quebrava alguma coisa nas minhas peraltices, meu pai me punha de castigo, não podia brincar, tinha de ficar sentado na sala. Mas quando este saia pra trabalhar, minha mãe deixava eu brincar com meu brinquedos e quando estava perto do meu pai chegar, ela recolhia tudo, e me colocava lá onde meu pai queria que eu estivesse. Qdo este chegava, ela estava nos seus afazeres e eu com aquela cara de cachorro que caiu da mudança, mas estava saciado. Meu pai falava algumas coisas pra mim tomar jeito, e qdo ele saia do ambiente, ela me olhava e eu entendia, era um segredo nosso, cumplicidade. .. Voltando ao assunto: Além desses itens, manter a família unida, os filhos vinham de famílias coesas, viviam vidas integradas, e é claro estes quando adultos, repetiam os pais formando famílias iguais. A industrialização, criou o “bem de consumo” que é claro, custava dinheiro que as pessoas precisavam trabalhar mais para ter.
O golpe final veio com a televisão. Ela desagregou a família, as refeições que eram feitas a mesa com todos os integrantes,onde se conversava, tratavam de assuntos importantes passou a ser feita na sala frente da TV, que é quem passou a dar as cartas... Não se falava, trocavam idéias, a TV já fazia isso, e quem ousasse falar era convidado a calar. Era mais importante a chegada dos astronautas que foram a lua, que as dificuldades que alguém estivesse tendo na escola. Depois a televisão barateou, e chegou a outros cômodos da casa, e ai cada um foi ver o que queria ver, foi criada então a privacidade... não há comunicação, e quando há, é só pra reclamar... Os formadores de opinião fizeram o resto