Por Solange de Souza,
Inspirada por comentário de Enir Fonseca: "A EaD tem um grande desafio no processo da inclusão".
Nas aulas anteriores vimos o que é Design Didático e qual a sua aplicabilidade no ensino a distância. Vimos também a importância de integrar textos impressos com imagens.
Nesta aula veremos o Design Didático sob a ótica da Educação Inclusiva, e para tanto, estudaremos o “Design Didático Inclusivo”.
Design Inclusivo “é um processo que resulta em produtos, ou ambientes que podem ser usados por todos, independentemente da idade, sexo ou dificiência”(Centro de Educação no Ambiente Construído,2003).
É uma abordagem do Design Gráfico ou Instrucional, para projetar produtos que atendam às necessidades de o máximo de público possível. Outros termos que são usados em um contexto semelhante ao design inclusivo são “design para todos”, projetando a diversidade, e” respeito pelas pessoas”. (Centro de educação no Ambiente Construído, 2003), ou “design universal”.
As práticas em design instrucional são importantes porque nos fazem questionar se , e quais, as necessidades de nossos alunos, estão sendo atendidas no processo de educação, em especial em EAD.
É centrado no usuário, colocando as necessidades dos alunos no centro da questão. Sexo, idade, cultura, nível socioeconômico, e muitos outros fatores afetam a experiência de aprendizagem da pessoa, portanto, a instrução inclusiva serve para acomodar uma ampla gama de necessidades de alunos, não apenas aqueles que coincidem com o perfil do designer instrucional ou do educador.
Observamos que este é o lugar onde os valores éticos de um planejador(seja ele professor ou designer didático)é tão crucial. Eles podem optar por planos que supram as necessidades dos diversos grupos culturais, ou não. Podem considerar os interesses dos alunos, ou não.
Enfim, os designers instrucionais não só podem afetar o desenvolvimento de ensino, como podem desempenhar um papel muito importante junto aos educadores, incentivando-os a utilizar práticas inclusivas. Práticas essas que envolvem mais do que ter uma caixa de ferramentas bem abastecida de estratégias e idéias. Ao utilizar práticas inclusivas, designers instrucionais e educadores defendem um ambiente de aprendizagem justo para todos os alunos.
Neste contexto, proporcionar meios flexíveis de representação implica em encontrar formas alternativas de fornecer as instruções para se adequar às necessidades do aluno.
O texto impresso (que foi abordado em aula anterior) pode ser uma barreira para os alunos com dificuldades de aprendizagem ou com baixa visão, mas a impressão em formato digital pode ser alterada em tamanho, forma ou cor para se adequar ao aluno com necessidades específicas, ou especiais.
Com a tecnologia certa, podemos apresentar conteúdos oralmente para usuários cegos. Apresentações auditivas são preferidas por algumas pessoas, mas sem sentido para as pessoas surdas. Informações com legendas satisfazem as necessidades da maioria dos alunos. Da mesma forma, elementos gráficos e texto são mais fortes do que apenas um modo de apresentação. Alguns alunos podem ter uma deficiência ligeira, que não é facilmente perceptível, mas afeta sua aprendizagem, no entanto meios de representações flexíveis podem ajudar estes alunos a acessar o conteúdo.
Design Didático Universal e Educação
Na educação, Design Universal significa uma mudança na maneira como pensamos sobre o ensino e a aprendizagem em algumas formas básicas. Primeiro de tudo, as pessoas não são ‘deficientes’ todos temos uma variação de habilidades. Nossas habilidades variam ao longo da vida de acordo com nosso estado psicológico, mental e com a nossa capacidade física, e essa variação pode mudar ao longo do tempo e de acordo com o contexto (Fletcher, 2002). Outro aspecto do desenho universal para a aprendizagem é que ela visa modificar a instrução para todos os alunos, não apenas aqueles com habilidades diferentes. Como resultado, a instrução é reforçada para todos os alunos (Fletcher, 2002).
As diretrizes de Design Didático Universal expandem a escolha de materiais curriculares para incluir recursos digitais e online, bem como textos. Além disso, o design universal para a aprendizagem tem uma abordagem diferente de ‘deficiências’, vendo-as, não como algo a ser corrigido, mas como ‘diferenças’, algo que precisa ser considerado em se tratando de uma educação que pretenda ser inclusiva em sentido amplo, para todos. Como resultado, temos um currículo que deve ser corrigido para se tornar flexível o suficiente para acomodar todos os alunos (Rose, Sethuraman, e Melo, 2000).
Acessibilidade cognitiva e Design Didático Universal
O Design Didático Universal tem por objetivo criar produtos e ambientes que sejam acessíveis a pessoas com dificuldades cognitivas, bem como físicascessibilidade cognitiva é "a gama de estratégias e métodos que ajudam qualquer aluno ou usuário a entender ou cognitivamente integrar a interface e conteúdo" (Rodrigues, sd). O projeto de acessibilidade cognitiva ajuda a todos os alunos a acessar o conteúdo. Estratégias de projeto para a acessibilidade cognitiva incluem coisas que organizam o conteúdo de uma maneira que faça sentido para os alunos. Usando organizadores avançados, o seqüenciamento do conteúdo, e informações para aumentar a assimilação e melhorar a acessibilidade cognitiva (Rodrigues, sd). Outras estratégias incluem a construção de habilidades e pré-requisitos antes de introduzir novas e concretas estratégias para avançar a partir de idéias abstratas (McAllister, 2002). Quando avaliamos sites de educação à distância - EAD, quanto a sua acessibilidade cognitiva, temos que levar em consideração a coerência no layout. Menus devem estar localizados no mesmo local em cada página. Se eles se movem ao redor, o usuário tem que re-descobrir como navegar em páginas diferentes do site.
Um princípio de acesso universal á educação à distância-EAD: o uso eqüitativo
O princípio da utilização equitativa num projeto de educação, principalmente se for distancia, é muito útil para pessoas com habilidades diversas.Os designers instrucionais podem se esforçar para isso, através de estratégias tais como evitar segregar ou estigmatizar os alunos, e fazendo o desenho atraente para todos os alunos (Connell et. al., 1997).
Podemos citar como exemplos de tecnologia educacional que podem ser aplicadas neste intuito:
• Fornecer um equivalente textual para os itens não-texto: de links, imagens e de vídeo, gráficos, áudio ou itens;
• Não recorrer apenas à cor para transmitir informação (por exemplo, mapas que são codificados por cor só serão inúteis para alguns espectadores);
• Organizar os documentos para que eles possam ser lidos sem folhas de estilo (Griffith University, 2004);
• Para tabelas de dados, identificar os cabeçalhos de linha e coluna;
• Priorizar a comunicação assíncrona que permite um tempo de reflexão;
• Estimular os aprendizes a manipular objetos na tela;
• Fornecer links para materiais de apoio;
• Modificar o tamanho, forma e cor do texto digital;
• Audio e legendas são melhores do que apenas um formato.
O design instrucional é uma atividade humana e a educação é afetada pela influência cultural e social das pessoas que estão envolvidas no processo de design.
Não é possível criar a instrução que é completamente inclusiva. Mas os designers instrucionais podem desempenhar um papel importante para assegurar que a instrução reflita mais do que a perspectiva da cultura dominante. Através da análise do aluno e uma análise do ambiente de aprendizagem, eles podem ter um olhar crítico sobre a instrução que serve, e quem é excluído.
Se formos ver a instrução como um alvo, dentro do círculo estão os que estão "incluídos": para que a instrução atenda às suas necessidades Fora do círculo estão os alunos que estão “excluídos” do ensino, por qualquer motivo.
Portanto, a aprendizagem não é cognitivamente acessível se não houver um agente que pense uma forma de torná-la acessível a todos os tipos de pessoas, em todas as modalidades em que pode ser oferecido, incluindo neste caso, a educação a distância, objeto de nossa discussão nesta aula.
Referências Bibliográficas
Centro de Educação no Ambiente Construído (2003). Uma introdução ao design inclusivo.
Connell, BR, Jones, M., Mace, R., Mueller, J., Mullick, A., Ostroff, E., et. 1997). Os princípios do design universal.
Fletcher, V. (2002). Design universal: design para o século 21.
Griffith University (2004). Informações para designers de ensino e corpo docente.
McAllister, CJ (2002). Dicas para criar uma aula de Matemática, inclusive usando os princípios do desenho universal.
Rose, D., Sethuraman, S. & Meo, G. (2000).Universal design para a aprendizagem. [Versão eletrônica]. Journal of Special Education Technology, 15 (2), 56-60.

Obrigado pelos créditos ao meu blog!!! grande abraço!!! Ótimo trabalho, Educadora!
ResponderExcluir