quinta-feira, 29 de julho de 2010

RESPOSTA DE UMA PROFESSORA À REVISTA VEJA que está rolando na rede.

Interessantíssimo e tem que ser lido por TODOS, indiscriminadamente, em especial aqueles que criticam o trabalho dos professores, sem pensar que qualquer formação, por mínima que seja, passa obrigatoriamente pelo trabalho deste profissional tão injustamente criticado e massacrado pela mídia, pais, alunos e comunidade em geral, esquecidos que estão de quem lhes ensinou as primeiras letras, para que chegassem onde chegou.
Crticar professor é no mínimo uma conduta  INGRATA,DESRESPEITOSA E MAL-EDUCADA.
Na minha humilde concepção, o problema da Educação não está nas leis, nem nos profissionais do Magistério, está na Gestão da Educação e dos Recursos ,ou ,na falta dela.
Por Solange de Souza.


CARTA RESPOSTA  À REVISTA VEJA DE UMA PROFESSORA INDIGNADA COM AS CRITICAS DA SOCIEDADE, AOS PROFESSORES:

Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador.

Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticas as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira. Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras. Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.

Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e ...disciplina.

Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.

Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até à passeios interessantes, planejados, minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes” elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;

Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 m .de intervalo, onde tem que se escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário. Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.

Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.

Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.

Em vez de cronômetros precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo

Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim ouve-se falar em cronômetros. Francamente !!!

Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de bandidismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO. Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.

*O referido artigo foi publicado em 13 de junho de 2010.
Disponível em :http://veja.abril.com.br/230610/aula-cronometrada-p-122.shtml














quarta-feira, 28 de julho de 2010

Culto à beleza
Por Solange de Souza

Ouvi de um pastor, numa excelente pregação para jovens outro dia (a Igreja carece muito disso!), que uma evidência da intolerância à “feiúra” é a grande quantidade de ofertas de tratamentos estéticos e cirurgias plásticas para corrigir “imperfeições”.

Segundo ele ainda, em artigo publicado recentemente em revista de grande circulação nacional, o Brasil foi intitulado “O Império do bisturi”.

Não é curioso que pessoas que se autodenominam pertencentes a uma geração moderna, altamente tecnológica e catedrática, aceite sem refletir a imposição desumana de padrões estéticos cada vez mais exigentes? Que se deixe contaminar?Que se deixe ser tratada como um mero objeto, que não precisa apenas ser útil, mas também tem que ser acima de tudo, um objeto bonito?

E não estamos falando apenas de um mundo inteiro de pessoas que levantam a bandeira da igualdade, da tolerância às diferenças e das legislações cada vez mais igualitárias. Estamos falando de um mundo tão espiritualizado como nunca se viu antes. De pessoas que se engajam em causas sociais e movimentos humanitários. Que se dedicam a uma religião, muitas vezes com grande exagero, mas que parecem nunca ter lido no livro mais lido do mundo, manual básico de boa conduta e bem viver, a Bíblia, em I Pedro 3:3-4:

“O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura de vestes, mas o homem encoberto no coração, no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus .”

Será que não vamos jamais conseguir levar as pessoas a refletir que o que devemos ter é uma preocupação moderada com o corpo, nosso maior foco deve ser nosso coração e nosso espírito.

Tiremos esse peso de nossas cabeças. Tenhamos orgulho de nossa aparência!

Se Deus, o arquiteto do Universo nos esculpiu assim, com suas próprias mãos, um a um, e somos únicos no mundo, cada um com uma beleza única e defeitinhos também únicos, como podemos nos achar feios?

Não, não precisamos acreditar no padrão de beleza ditado pela mídia.

Pois se Deus, Nosso Pai, fez cada um com suas particularidades, por que tem que ser todo mundo igualzinho?

Precisamos acreditar em algo maior que as nossas próprias vontades. Precisamos crer em Deus, que Ele nos fez assim, e se nos fez desse jeito, é porque assim está bom.

Quem não crê no próprio Criador não tem limites.

Tenha limite!

É urgente e necessário que façamos uma reflexão E para auxiliá-lo nesta tarefa, seguem aqui umas imagens, que por si só, dizem tudo.

  Mulheres girafas –Tailândia. Têm sua beleza medida pela quantidade de argolas que usam em volta do pescoço.  Fonte:www.girafamania.com.br


Índio Xavante, com extensor de lábio.,,modelo de beleza em sua tribo. Fonte:www.celtaclube.com.br


 Modelo de beleza em  passarela de desfile de moda até o início desta década. fonte:www.zaroio.com


E para você? Qual é o seu modelo de beleza?
PENSE NISSO!

sábado, 24 de julho de 2010

Relacionamentos pós-modernos.
Por Solange de Souza

Ando com algumas dificuldades que estão me fazendo refletir muito sobre a crise. Não, não é sobre a crise econômica mundial. É sobre a crise nos relacionamentos pessoais e interpessoais.
Percebo grande dificuldade nas pessoas, em serem ouvidas, e maior dificuldade ainda em falar.
Falar de assuntos cotidianos, falar besteirinhas necessárias com seus amigos, familiares, colegas de trabalho, parceiros...Falar, simplesmente falar.
As pessoas não parecem mais querer escutar, e isso torna o falar praticamente inexistente.
Chega-se em casa, liga-se a tv, corre-se para o banho, come-se alguma coisa rapidamente (quando come!), controle na mão, ou mão no teclado do computador, e quem esta conosco, ali no mesmo espaço, solenemente ignorado.
Quando muito, interrompemos uma olhada ou outra para a tela, apenas para resmungar monossílabos, que querem dizer sim, não, ou talvez, o outro que interprete como quiser.
Sinto às vezes uma vontade imensa de falar. Mas ninguém quer escutar. Alternativa?Ponho-me a reclamar de alguma coisa banal, que momentaneamente chama a atenção do outro para exclamar que reclamo demais, e fim de assunto.
As pessoas não conseguem mais falar umas com as outras, não conseguem mais falar de si mesmas, e isso adoece!Sim, estamos adoecidos e não percebemos.
Pensou-se que a tecnologia iria aproximar mais as pessoas. Mas li em algum lugar que a humanidade nunca se sentiu tão solitária.E sinto o mesmo, também!
Ao invés de visitar um amigo, como fazíamos nos velhos tempos (não tão velhos assim), eu telefono para ele ou mando um "torpedo" via celular.
No dia do aniversário de uma pessoa querida, eu lhe mando um cartão virtual.deixo um "scrap" no orkut ou no msn.
Quando quero me desculpar, mando uma mensagem, ao invés de procurar a pessoa e conversar sobre os fatos.
Estamos abrindo mão de um bom papo, de momentos juntos, de relacionamentos verdadeiros e duradouros, do olho no olho, de estarmos todos reunidos.
É.A pós-modernidade está tirando isso da gente.Está tirando nosso conceito de “nós”, nossa comunhão, nosso “estar juntos”.
E a televisão exerce este papel brilhantemente: tira-nos uns dos outros.
Parece até que , como escutei em uma pregação outro dia, a Ciência está querendo nos destruir.
Criamos máquinas maravilhosas, compramos produtos de extrema tecnologia, inventamos inúmeras maneiras de ganhar e gastar dinheiro e reinventamos a solidão, o desamor, a falta de ter com quem falar.
Embora eu tenha um celular, um computador, uma tv, de ultima geração, ninguém me escuta, ninguém nota minha presença, e em alguns casos, sequer notam minha ausência.
“Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem .Agora vejo em parte, mas então veremos face a face, que é só o amor, é só o amor, que conhece o que é verdade” (Legião Urbana).

Solange de Souza.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

COLOCAR-SE NO LUGAR DO OUTRO...
Por Solange de Souza

Entender como a outra pessoa se sente... É tudo o que você precisa fazer!

De vez em quando é bom tentar se colocar no lugar do outro. Pensar o que ele pode estar pensando, sentir como ele deve estar se sentindo. É muito difícil, mas é necessário. E Bom.

Não podemos passar o tempo todo esperando que as pessoas ajam como Jesus agiria, sempre nos perdoando por nossas faltas de consideração com uns ou consideração excessiva com outros (que geralmente nem merecem tanto!).

Não existe uma receita de como fazer, mas começar por pedir perdão primeiro é melhor do que ficar só esperando que os outros te perdoem.

Ter que estar sempre começando um relacionamento do zero torna tudo muito ruim.

Precisamos considerar o quanto a outra pessoa se mutila para permanecer ao nosso lado. E não estamos falando apenas de relacionamentos afetivos homem-mulher. Todas as relações: pais, amigos, colegas de trabalho.

E se o outro fizer o mesmo comigo? Vai doer igual? Se o outro deixar de se importar, vai ser bom para mim?Eu precisava mesmo ter feito o que fiz?Por que fiz de novo? São perguntas que devemos nos habituar a fazer constantemente. Isso é parte do que significa se colocar no lugar do outro.

Raras vezes encontramos pessoas com esta capacidade de se colocar no lugar do outro voluntariamente, ou seja, por iniciativa própria, sem que para isso o outro precise ficar se desgastando com cobranças, discursos, lamentos, silêncios, isolamento.

Normalmente encontramos pessoas com imensa e egoística capacidade de sempre querer a boa consideração alheia.

Algumas delas até se emocionam com pequenas coisas que vê na televisão, que presencia em seu dia-a-dia, ou lê em algum livro, revista ou jornal. Mas não conseguem se emocionar com a dor que causam em quem está a seu lado, porque consideram a dor do outro pequena demais para sua emoção.

São pessoas que não percebe o quanto pouco-a- pouco vai matando o que de mais bonito o outro trás dentro de si: um desejo forte de compartilhar sentimentos bons, alegrias pequenas, mas duradouras, uma vontade imensa de ser considerada prioridade, num mundo cheio de prioridades efêmeras e ilusórias.

Não percebem quanto são nocivos a si mesmo e a seus relacionamentos, e o quanto isso mata quase de maneira imperceptível, a chance que o outro esta lhe dando de ser especial para alguém, não por algum bem material que possua, ou um status social elevado, ou por ser a chance de se dar bem em alguma coisa, de levar vantagem, ou algo semelhante, mas apenas por ser ele mesmo, apenas por ser este alguém tão especial, porque consegue se colocar no lugar do outro, pelo menos de vez em quando!

Solange de Souza

quinta-feira, 15 de julho de 2010

"Design Didático Inclusivo ou Universal".

imagem by valdirmedeirosjr.blogspot.com

Por Solange de Souza,
Inspirada por comentário de Enir Fonseca: "A EaD tem um grande desafio no processo da inclusão".


Nas aulas anteriores vimos o que é Design Didático e qual a sua aplicabilidade no ensino a distância. Vimos também a importância de integrar textos impressos com imagens.

Nesta aula veremos o Design Didático sob a ótica da Educação Inclusiva, e para tanto, estudaremos o “Design Didático Inclusivo”.

Design Inclusivo “é um processo que resulta em produtos, ou ambientes que podem ser usados por todos, independentemente da idade, sexo ou dificiência”(Centro de Educação no Ambiente Construído,2003).

É uma abordagem do Design Gráfico ou Instrucional, para projetar produtos que atendam às necessidades de o máximo de público possível. Outros termos que são usados em um contexto semelhante ao design inclusivo são “design para todos”, projetando a diversidade, e” respeito pelas pessoas”. (Centro de educação no Ambiente Construído, 2003), ou “design universal”.

As práticas em design instrucional são importantes porque nos fazem questionar se , e quais, as necessidades de nossos alunos, estão sendo atendidas no processo de educação, em especial em EAD.

É centrado no usuário, colocando as necessidades dos alunos no centro da questão. Sexo, idade, cultura, nível socioeconômico, e muitos outros fatores afetam a experiência de aprendizagem da pessoa, portanto, a instrução inclusiva serve para acomodar uma ampla gama de necessidades de alunos, não apenas aqueles que coincidem com o perfil do designer instrucional ou do educador.

Observamos que este é o lugar onde os valores éticos de um planejador(seja ele professor ou designer didático)é tão crucial. Eles podem optar por planos que supram as necessidades dos diversos grupos culturais, ou não. Podem considerar os interesses dos alunos, ou não.

Enfim, os designers instrucionais não só podem afetar o desenvolvimento de ensino, como podem desempenhar um papel muito importante junto aos educadores, incentivando-os a utilizar práticas inclusivas. Práticas essas que envolvem mais do que ter uma caixa de ferramentas bem abastecida de estratégias e idéias. Ao utilizar práticas inclusivas, designers instrucionais e educadores defendem um ambiente de aprendizagem justo para todos os alunos.

Neste contexto, proporcionar meios flexíveis de representação implica em encontrar formas alternativas de fornecer as instruções para se adequar às necessidades do aluno.

O texto impresso (que foi abordado em aula anterior) pode ser uma barreira para os alunos com dificuldades de aprendizagem ou com baixa visão, mas a impressão em formato digital pode ser alterada em tamanho, forma ou cor para se adequar ao aluno com necessidades específicas, ou especiais.

Com a tecnologia certa, podemos apresentar conteúdos oralmente para usuários cegos. Apresentações auditivas são preferidas por algumas pessoas, mas sem sentido para as pessoas surdas. Informações com legendas satisfazem as necessidades da maioria dos alunos. Da mesma forma, elementos gráficos e texto são mais fortes do que apenas um modo de apresentação. Alguns alunos podem ter uma deficiência ligeira, que não é facilmente perceptível, mas afeta sua aprendizagem, no entanto meios de representações flexíveis podem ajudar estes alunos a acessar o conteúdo.

Design Didático Universal e Educação

Na educação, Design Universal significa uma mudança na maneira como pensamos sobre o ensino e a aprendizagem em algumas formas básicas. Primeiro de tudo, as pessoas não são ‘deficientes’ todos temos uma variação de habilidades. Nossas habilidades variam ao longo da vida de acordo com nosso estado psicológico, mental e com a nossa capacidade física, e essa variação pode mudar ao longo do tempo e de acordo com o contexto (Fletcher, 2002). Outro aspecto do desenho universal para a aprendizagem é que ela visa modificar a instrução para todos os alunos, não apenas aqueles com habilidades diferentes. Como resultado, a instrução é reforçada para todos os alunos (Fletcher, 2002).

As diretrizes de Design Didático Universal expandem a escolha de materiais curriculares para incluir recursos digitais e online, bem como textos. Além disso, o design universal para a aprendizagem tem uma abordagem diferente de ‘deficiências’, vendo-as, não como algo a ser corrigido, mas como ‘diferenças’, algo que precisa ser considerado em se tratando de uma educação que pretenda ser inclusiva em sentido amplo, para todos. Como resultado, temos um currículo que deve ser corrigido para se tornar flexível o suficiente para acomodar todos os alunos (Rose, Sethuraman, e Melo, 2000).

Acessibilidade cognitiva e Design Didático Universal

O Design Didático Universal tem por objetivo criar produtos e ambientes que sejam acessíveis a pessoas com dificuldades cognitivas, bem como físicascessibilidade cognitiva é "a gama de estratégias e métodos que ajudam qualquer aluno ou usuário a entender ou cognitivamente integrar a interface e conteúdo" (Rodrigues, sd). O projeto de acessibilidade cognitiva ajuda a todos os alunos a acessar o conteúdo. Estratégias de projeto para a acessibilidade cognitiva incluem coisas que organizam o conteúdo de uma maneira que faça sentido para os alunos. Usando organizadores avançados, o seqüenciamento do conteúdo, e informações para aumentar a assimilação e melhorar a acessibilidade cognitiva (Rodrigues, sd). Outras estratégias incluem a construção de habilidades e pré-requisitos antes de introduzir novas e concretas estratégias para avançar a partir de idéias abstratas (McAllister, 2002). Quando avaliamos sites de educação à distância - EAD, quanto a sua acessibilidade cognitiva, temos que levar em consideração a coerência no layout. Menus devem estar localizados no mesmo local em cada página. Se eles se movem ao redor, o usuário tem que re-descobrir como navegar em páginas diferentes do site.

Um princípio de acesso universal á educação à distância-EAD: o uso eqüitativo

O princípio da utilização equitativa num projeto de educação, principalmente se for distancia, é muito útil para pessoas com habilidades diversas.Os designers instrucionais podem se esforçar para isso, através de estratégias tais como evitar segregar ou estigmatizar os alunos, e fazendo o desenho atraente para todos os alunos (Connell et. al., 1997).

Podemos citar como exemplos de tecnologia educacional que podem ser aplicadas neste intuito:

• Fornecer um equivalente textual para os itens não-texto: de links, imagens e de vídeo, gráficos, áudio ou itens;

• Não recorrer apenas à cor para transmitir informação (por exemplo, mapas que são codificados por cor só serão inúteis para alguns espectadores);

• Organizar os documentos para que eles possam ser lidos sem folhas de estilo (Griffith University, 2004);

• Para tabelas de dados, identificar os cabeçalhos de linha e coluna;

• Priorizar a comunicação assíncrona que permite um tempo de reflexão;

• Estimular os aprendizes a manipular objetos na tela;

• Fornecer links para materiais de apoio;

• Modificar o tamanho, forma e cor do texto digital;

• Audio e legendas são melhores do que apenas um formato.

O design instrucional é uma atividade humana e a educação é afetada pela influência cultural e social das pessoas que estão envolvidas no processo de design.

Não é possível criar a instrução que é completamente inclusiva. Mas os designers instrucionais podem desempenhar um papel importante para assegurar que a instrução reflita mais do que a perspectiva da cultura dominante. Através da análise do aluno e uma análise do ambiente de aprendizagem, eles podem ter um olhar crítico sobre a instrução que serve, e quem é excluído.

Se formos ver a instrução como um alvo, dentro do círculo estão os que estão "incluídos": para que a instrução atenda às suas necessidades Fora do círculo estão os alunos que estão “excluídos” do ensino, por qualquer motivo.

Portanto, a aprendizagem não é cognitivamente acessível se não houver um agente que pense uma forma de torná-la acessível a todos os tipos de pessoas, em todas as modalidades em que pode ser oferecido, incluindo neste caso, a educação a distância, objeto de nossa discussão nesta aula.


Referências Bibliográficas

Centro de Educação no Ambiente Construído (2003). Uma introdução ao design inclusivo.

Connell, BR, Jones, M., Mace, R., Mueller, J., Mullick, A., Ostroff, E., et. 1997). Os princípios do design universal.

Fletcher, V. (2002). Design universal: design para o século 21.

Griffith University (2004). Informações para designers de ensino e corpo docente.

McAllister, CJ (2002). Dicas para criar uma aula de Matemática, inclusive usando os princípios do desenho universal.

Rose, D., Sethuraman, S. & Meo, G. (2000).Universal design para a aprendizagem. [Versão eletrônica]. Journal of Special Education Technology, 15 (2), 56-60.





terça-feira, 6 de julho de 2010

A importância do uso das imagens em Educação a Distância-EAD, associadas a textos impressos.

Por Solange de Souza


Imagem fonte: senado.gov.br

Acreditamos que o uso da imagem tem um papel importante na instrumentalização do conhecimento.
Segundo Serpa (2004), “a invasão da imagem em todas as atividades humanas foi conseqüência das tecnologias desenvolvidas e utilizadas nos estudos da Física desde o início do século XX”.
Portanto, a imagem constituiu-se no paradigma mais significativo para o desenvolvimento do conhecimento no século XX.
As mais diversas áreas da ciência moderna baseiam seus estudos nas imagens obtidas, quer por um telescópio ou sonda espacial, quer por microscópios eletrônicos.
No mundo digitalizado em que vivemos atualmente, precisamos nos adaptar a novos suportes e portadores de textos e a utilização de imagens tem um papel importante nessa adaptação.
O texto escrito na rede exige do usuário/leitor uma rapidez na apreensão informativa quase próxima a leitura dinâmica (NICOLA, 2004, p.40).
Dentre os novos suportes a que se refere Nicola, está o hipertexto - termo que remete a um texto em formato digital, ao qual agrega-se outro conjunto de informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons, cujo acesso se dá através de referências específicas denominadas hiperlinks, ou simplesmente links.
A imagem não é linear, e talvez por esse motivo tenha se adequado tão bem ao ambiente hipertextual, pois “a imagem não é sintática, mas paratáxica, ou seja, apresenta seus elementos em um mesmo plano” (TENÓRIO, 1998, p.127).
Portanto, imagens são elementos que falam e ocultam muita informação, que podem ser inseridas como extensão ou complemente de conteúdos a serem estudados por alunos de cursos a distancia, que muitas vezes necessitam dinamizar seu tempo de estudo.
Não se trata aqui de fazer apologia ao uso indiscriminado de imagens para ilustrar materiais didáticos, especialmente em EAD, pura e simplesmente. Trata de uma tentativa de chamar a atenção para o quanto elas (as imagens) podem colaborar para a aquisição de conhecimento e apreensão de conteúdos, quando são integradas aos textos e contextualizadas no ambiente de aprendizagem.
Para Lévy “pela palavra não atingimos mais que uma pequena parte do mundo sensorial daquele a que nos dirigimos” (1998, p.29), o que é perfeitamente possível fazer quando combinamos as palavras a sons, cores, animações e imagens disponíveis no ambiente hipertextual.
Como somos frutos de uma cultura alfabética, muitas vezes, tentamos “ler” a imagem da mesma forma como lemos os textos escritos. Buscamos decompor suas estruturas, identificar o seu significado (CAROLEI, 2004) e apesar de imersos em uma cultura imagética, não nos demos conta de que a imagem prestase a percepção e não a leitura.
E como a escola geralmente tenta educar pessoas que sejam alfabetizadas verbalmente e nãovisualmente, acaba por criar uma legião de analfabetos visuais.
A rede mundial de computadores é acessada diariamente por usuários que dominam os mais variados idiomas interessados nos mais diversos assuntos e informações.
Sendo assim, utilizando cones e imagens associadas aos textos, teremos possibilidade de atingir um número muito maior de leitores, da mesma maneira, em cursos disponibilizados via Internet, denominados Educação a Distância, existe a necessidade de se associar o uso da imagem ao material impresso disponibilizado para os cursistas, a fim de atingir nossos objetivos educacionais ao maior número possível de alunos cursistas.
Como a imagem é universal, acreditamos num conhecimento também universal que possa ser disseminado via EAD, através do uso contextualizado de imagens significativas, que se integradas ao material impresso disponibilizado ao aluno, motivará o leitor e propiciará a construção do conhecimento e a valorização da leitura de imagens como parte importante do processo de aquisição de saberes pertinentes a qualquer área de conhecimento.



imagem fonte:planetaeducação.com.br

Referências

Aula 4a – Ferramentas da Web 2.0 e as Comunidades de Prática.Rosa Maria E.M.da Costa e Vânia Martins.

CAROLEI, P. Aprender por imagens ou conceitos. In: Curso Texto e Hipertexto, 2004.
LÉVY, P. A ideografia dinâmica: rumo a uma imaginação artificial? São Paulo: Edições Loyola, 1998.
NICOLA, R. Cibersociedade: quem é você no mundo on-line. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2004.
SERPA, F.P. A imagem como paradigma. Rascunho digital. Salvador. Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, 2004.
TENÓRIO, R.M. Cérebros e computadores: a complexidade analógico-digital na informática e na educação. São Paulo: Escrituras Editora, 1998.
www.planetaeducação.com.br/. acesso em 06.07.2010.
www.wikipedia.org/wiki/Hipertexto. acesso em 06.07.2010.
www.senado.gov.br/. acesso em 06.07.2010.